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Como está evidenciado, o intuito é tratar o Feminino a partir da perspectiva Thelêmica. Corro o risco de no decorrer da exposição me tornar um foco de pestilência. Mas como falar sobre o feminino em Thelema sem de algum modo me inspirar no texto angular e fundamental que é o Liber AL vel Legis? Me encontro em uma encruzilhada, daquelas mais adoráveis, que desafia o coração e a mente, pois também arrisco em expor algumas associações sobre a Árvore da Vida Cabalística, um campo de estudo vasto onde minha experiência é incipiente. Então gostaria que a leitora considerasse que as reflexões que se seguem não são uma regra e que, como o título sugere, são algumas ideias, baseadas em estudos (e insights) que ainda estão em processo e em continuidade. Espero que estas ideias, apesar de não completamente originais, seja uma contribuição que possa se somar às já existentes discussões e concepções sobre o feminino em Thelema.

Mas antes que as nuances pestilentas possam surgir, é crucial nos lembrarmos do óbvio: o Sr. Aleister Crowley, este homem ambíguo, machista, poeta, patriarcal, feminino a seu modo e Besta, não passa de um homem que NÃO É, evidentemente, o autor de Liber AL! Friso esta questão para que, de certa forma, mulheres se encorajem a experimentar Thelema, pois seu texto angular é fruto de uma Sabedoria sobre-humana. Portanto, ainda que atualmente Thelema seja fortemente marcada pela presença de homens cisgênero, a eles não é exclusivo. E como pretendo demonstrar, esse sistema carrega em si muito do aspecto feminino.

Ainda assim é necessário, urgentemente, dar as devidas credibilidades e exaltação a Rose Edith Kelly, Ouarda – A Vidente. Sua atuação de gigantesca importância é eclipsada negativamente pela escrita de A. Crowley. Foi esta mulher quem habilmente se comunicou com Aiwass, o emissário do Novo Aeon[1] – ainda que sem as aclamadas formações místicas/ocultistas oficiais floreadas de patentes e títulos. É Rose Kelly quem indica os detalhes ritual