Acampamento Opus Solis

Uma Introdução à Magia Egípcia

Quando a humanidade finalmente captou a ideia de que as influências que afetam a própria vida poderiam ser alteradas por meio do exercício da própria vontade, a arte e a prática da magia começaram. Pode até nos parecer, em nosso mundo moderno, que os métodos empregados pelos antigos egípcios eram estranhos ou radicais, mas eles acreditavam ser eficazes para guiar suas vidas.

Nos primeiros períodos dinásticos, os antigos sacerdotes egípcios ensinavam que essa estrita interdependência não só existia, mas que era necessário um apaziguamento contínuo com oferendas. Era possível contar os Deuses e as Deusas, e cada templo, assim como cada lar, assumiam as obrigações de dar oferendas para suas formas de Deus locais e estaduais.

Ao longo da história do Egito, a crença dos faraós ou a cosmogonia de preferir um Deus ou uma Deusa da criação a outro variava. As divindades locais geralmente se tornavam secundárias e formavam uma espécie de corte menor, ao passo que o Deus do Faraó se tornava o principal.

Concepções de Céu

Para o egípcio antigo, o conceito de Céu, também chamado de duat ou tuat, mudou ao longo da história. Eles viam a terra como um reflexo do que havia nos céus. O Nilo celestial existia acima do Nilo que fluía abaixo. Era a zona do crepúsculo ou o céu noturno, de Nu ou Nun.

Inicialmente, pensava-se que o céu descansava sobre duas montanhas, uma do nascer do sol e outra do pôr do sol, e o céu foi dividido em céu da manhã e céu da tarde.

Até a IV Dinastia, o céu era dividido em quatro partes, relacionadas com os quatro filhos de Hórus; cada um tinha quatro cetros, que sustentavam o céu. Essas quatro partes compreendiam os planos astrais, e era preciso ter equilíbrio em seus estados físico, psicológico, mental e emocional para entrar no céu, que também era chamado de “terra da luz”.

Mais tarde, o duat teve mais divisões, cada uma com um Deus dirigente. Para desfrutar do poder de entrar em certos lugares do céu, era necessário conhecer as várias almas adoradas em cada um deles.

No Papiro de Nu, fala-se de sete círculos ou divisões de arrat; cada um tinha uma porta pela qual se devia passar. Todo círculo era guardado por três entidades: um guardião, um vigia e um arauto. Antes de poder passar e entrar, era preciso saber os nomes dos três em cada um dos sete arrats.

As Cosmogonias ou Mitos da Criação

Havia quatro cosmogonias principais: heliopolita, menfita, hermopolita e tebana.

Na cidade de Heliópolis, o Grande Deus Atum surgiu das águas cósmicas de Nun e criou um lugar para ficar. Esse “todo completo” foi identificado nos textos da Pirâmide como “Um com Rá”.  O Deus Ra-Atum foi simbolizado pelo pássaro Bennu ou pela Fênix. Ele também era simbolizado pelo escaravelho, empurrando seu ovo com as patas, para nascer e iniciar um novo ciclo de criação. Unido com sua sombra, Ra‑Atum, por meio da masturbação, gerou seus filhos, Shu e Tefnut.

Shu é o Deus do ar, e Tefnut é o princípio da ordem divina e da umidade. Eles geraram Geb, a terra, e Nut, o céu. Então, Geb e Nut geraram Osíris, Ísis, Néftis, e Seth. Osíris e Ísis geraram Hórus. Os sacerdotes e sacerdotisas se consideravam os representantes de Geb e Nut na Terra. Em Heliópolis, o Sumo Sacerdote era chamado de “o Grande com Visões de Rá”.

Na cidade de Mênfis, o Grande Deus Ptah foi o “Criador do Mundo” e “Mestre do Destino”.  O texto da Pedra Shabaka declara que Ptah era o coração e a língua, e a mente e a inteligência da Enéade, ou o grupo de Deuses de Heliópolis. Assim, Atum foi o agente da vontade de Ptah.

Mais tarde, Hórus, o filho de Ísis e Osíris, tornou-se o coração; e, uma vez que era o deus da sabedoria, Thoth tornou-se a língua. Ptah criou uma ordem ética criando o ka ou alma de cada ser. Ele estabeleceu nas províncias do Egito – chamadas nomos – uma ordem política para as cidades fundadas. Em Mênfis, o Sumo Sacerdote era chamado de o “Grande Chefe dos Artesãos”.

Em Hermópolis havia uma Ogdóade, ou grupo de oito deuses: Nun e Naunet, Huh e Hauhet, Kuk e Kauket, Amon e Amaunet. Esses quatro grupos representavam os quatro elementos. Eclodiram da lama que se formou ao redor do lago sagrado ou das águas chamadas “Mar das Duas Facas”, de onde emergiu a “Ilha das Chamas”. Quatro mitos surgiram sobre os deuses nessa criação.

Segundo um desses mitos, o mundo era um ovo cósmico, posto por uma gansa celestial. Esse ovo continha Rá, o “criador da palavra”. De acordo com outro mito, o ovo foi colocado por uma íbis, que representa o deus da sabedoria, Thoth. Narra-se, no terceiro mito, que, no lago sagrado uma flor-de-lótus se abriu para revelar uma criança divina, Rá. Conforme o quarto mito, a flor‑de‑lótus se abriu para revelar um escaravelho, que se transformou em uma criança que chorava, e cada gota de lágrima continha a essência da vida para a forma humana. Assim, ao passo que os Deuses surgiram da boca de Rá, os homens e mulheres vieram de seus olhos.

Em Tebas, o Deus criador supremo e invisível era Amon. A doutrina de Tebas incorporou em Amon aspectos de todos os outros deuses criadores. Tebas afirmava ser a “cidade da colina primordial”. Amon abraçou cosmogonias inteiras como aspectos ou fases de sua atividade criadora. Ele foi a força vital que despertou Nun, as águas primordiais, no ciclo criativo. Em Tebas, o Sumo Sacerdote era chamado o “Profeta de Amon”.

Embora menor, havia também uma quinta cosmogonia. Em Assuã há uma ilha chamada Elefantina. Foi o local de nascimento de Khnum, que criou homens e mulheres do barro e da palha e os formou em uma roda de oleiro, já com suas almas ba. Dizia-se que a figura precisava de Hathor, a deusa da alegria, amor e beleza, para lhe dar vida, tocando-a com um ankh.

As Cinco Leis da Verdade

Havia aproximadamente cinco leis da verdade que eram tratadas em maior extensão. Uma dessas crenças era a de que o universo continha uma força imaterial e impessoal. O sacerdócio trabalhava para coletá-la, segurá-la, dirigi-la e apaziguá-la.

Havia a lei da participação mística: aquilo que era influenciado em uma parte do universo era também afetado em outra.

Os egípcios acreditavam na lei da similaridade e que “semelhante atrai semelhante”. Exemplos de relevo e papiros mencionam que o nome escolhido no nascimento influencia o destino dos indivíduos; [falam] de uma planta para um órgão do corpo, a qual poderia curá-lo; que as propriedades matemáticas dos números tinham atributos correspondentes; que derramar água evocava chuva; que dar um nó em um barbante parava hemorragia, doença, ou o ato sexual; que se poderia, mediante jogo com palavras, afetar uma pessoa por meio de homonímia; também que o dia de um contratempo ou de um evento de sorte terá influência no aniversário da data.

Havia também a lei da solidariedade, que afirmava que “um corpo permanece para sempre ligado a qualquer fragmento separado dele… até mesmo à sua sombra”.

Conforme a quinta lei, a morte era pensada como um “sono prolongado”. Os mortos podiam voltar a qualquer momento e as oferendas deveriam estar sempre preparadas para eles.

Os Templos

A Dupla Casa da Vida era composta por dez a vinte e cinco pessoas, sendo do alto clero, do baixo clero, auxiliares e, em uma ocasião especial, pessoas extras e público flutuante. Os oficiantes do Templo consistiam de um “homem do pergaminho” ou recitador principal, o alto sacerdote, o sacerdote da escrita divina – que também era encarregado da Casa da Vida – e os sacerdotes Korpuu. Estes eram os principais curandeiros, oráculos e ervanários. Dentro do templo, os oficiantes sempre tinham deveres a cumprir, iniciações a coordenar e rituais mágicos a serem feitos em cada festa. Os antigos egípcios celebravam aproximadamente 172 rituais por ano, dependendo se era um ano “bissexto”, ou não.

Todos os dias havia serviços que tinham de ser realizados. Começava com a construção de uma fogueira e o acendimento do incenso. Então, abria-se o santuário quebrando o selo da porta do Santo dos Santos. Louvores e hinos eram cantados ao deus. Oferendas de comida e incenso eram feitas com oração. Havia a purificação e a limpeza da estátua e do santuário com natro[1], um sal mineral, e águas do Nilo. O Deus estava finalmente preparado com unguentos, tinta para os olhos e roupas. O incenso de oferenda era queimado continuamente, até que o templo fosse selado no final do dia.

Os templos reajustaram este processo ao longo de cada dinastia para se adequar ao faraó e às necessidades do povo. Desde a I Dinastia até III Dinastia, o templo não era nada mais do que uma cabana de vime alongada, aberta na frente e atrás, com um pátio frontal aberto. Foi apenas na XII Dinastia que os templos eram construídos totalmente de pedra.

As dinastias médias ainda são, de certa forma, um mistério, mas nos períodos posteriores, especificamente durante o Período Greco-Romano, os templos tornaram-se grandes e elaborados, com a adição de uma sala conhecida como o Santo dos Santos. Nessa época, o templo era ligado a uma casa de aprendizagem – chamada hipostilo – por um conjunto de colunas, onde os estudantes não iniciados eram instruídos. A construção separada era chamada de Casa Dupla da Vida. Lá, o iniciado ou os “belos estudantes”, chamados neferstashi, recebiam mais instruções no hipostilo restrito à Casa da Vida. Eles eram instruídos por sacerdotes divinos sobre ervas, geografia, história, divinação e clima, sendo supervisionados por um líder Korpuu. Também eram ensinados os caminhos dos deuses, mas não praticavam a religião ou seus maiores mistérios até que recebessem seu Sacerdócio e trabalhassem dentro do templo propriamente dito. A Casa da Vida e a área ao redor do hipostilo eram também lugar de encontro para os sacerdotes, um lugar onde os escribas trabalhavam, os conselhos se reuniam, as mulheres vinham para dar à luz e os doentes eram trazidos para serem curados.

As Doze Escolas de Magia

Foram desenvolvidos doze caminhos diferentes que o iniciado poderia seguir, cada um deles num centro de aprendizagem do templo. Havia diferentes deuses ou deusas que guiavam esses caminhos com ensinamentos e exercícios específicos.

O Caminho de Rá, ou o Caminho do Sol, vem da cidade de Hermópolis. Foi mais popular da XVIII Dinastia até a XXII Dinastia. Tinha uma estrutura cabalística com uma árvore da vida, um panteão de dez partes, um caminho de vinte e um passos e uma rota completa através do plano astral.

O Caminho do Tarô, ou da Estrada Real, estava centralizado em Mênfis e em Alexandria. Existe no Egito um templo cujas paredes têm o desenho do que só pode ser – nem dá margens para discussão – cartas de tarô antigas. Também foram desenhadas em óstraco e correspondiam a vários dos arcanos maiores das futuras cartas de tarô. Originalmente eram usadas como uma meditação sobre a natureza e a pecuária, mas no contexto de um caminho de meditação e alquímico.

O Caminho da Criação, ou de Ptah, originou-se em Mênfis. Exotericamente, era um caminho e uma área de estudo de artistas e artesãos. Esotericamente, era o centro do misticismo pré-pitagórico, que usava a forma na arte, arquitetura e geometria na linguagem hieroglífica para expressar os ensinamentos.

O Caminho de Osíris, ou Caminho da Ressurreição, é um caminho que consiste numa tríade de Osíris, o pai, Ísis, a mãe, e Hórus, o filho. O livro de estudo é o que hoje se chama o Livro dos Mortos, ou o Papiro de Anni.

O Caminho de Amon, ou Caminho Oculto, era principalmente um caminho místico que utilizava meditações e mantras ao longo da XVIII Dinastia. Depois disso, Amon foi combinado com Rá, e o lado exotérico de Rá foi anexado a Amon, criando assim um grande sacerdócio mágico cerimonial.

O Caminho de Hórus, ou o Caminho das Artes Marciais, é aquele em que muitos dos guardas e sacerdotes combativos eram ensinados, e eles se tornavam o Shemsu Heru, ou sacerdotes guerreiros de Hórus. As técnicas de combate incluíam a luta com bastão, o combate corpo a corpo, o arco e flecha e a lança.

O Caminho de Tahuti, ou o Caminho da Sabedoria e da Filosofia, era de Hermópolis. O Deus Thoth era o Deus da inteligência e da sabedoria e encabeçava o panteão com Seshat e Ma’at. Muitos juízes e vizires eram sacerdotes de Ma’at. Os textos da Sabedoria, do Caminho da Sabedoria, eram abordagens filosóficas para uma relação do indivíduo com o mundo exterior e com o mundo interior. Ele continha códigos de ética e conduta entre todos os estratos da cultura.

O Caminho da Magia Cerimonial, ou o Caminho de Thoth, é, na verdade, da mesma cidade de Hermópolis. Embora o último caminho seja também um caminho de Thoth, o Caminho da Sabedoria e o Caminho da Magia eram sistemas diferentes, mas ensinados no mesmo templo. Esse caminho era o Setep-Sa, e para os magos incluía psicometria, adivinhação, formas de astrologia e formas de cura.

O Caminho da Astrologia, ou o Caminho Celestial, era um caminho de Hathor, Nut e Hórus. Esses templos ficavam em Edfu e Denderah. Sua magia se baseava inteiramente nos movimentos dos corpos celestes. Mapas eram elaborados, e um sistema de calendário preciso foi desenhado há aproximadamente 4.500 anos. Havia também textos sobre astronomia, e os alinhamentos astrológicos que eles acompanhavam ainda podem ser vistos em templos e túmulos.

Há o Caminho Dourado, ou o Caminho da Alquimia. Zoismos foi o Pai da Alquimia Moderna. Havia também Bolos de Mendes, Maria, a Egípcia, e Hermes Trismegistos e sua grande tábua de Esmeralda. Todos eram alquimistas egípcios tardios, antes de Paraselseus. Este caminho começou com os ourives ou sacerdotes de Ptah.

O Caminho da Aahti-Ahesheta, ou o Caminho da Mulher Sábia, era muito “wiccano” em estilo e conteúdo. Era, portanto, um caminho do divino feminino e de adoração da natureza. As Deusas comumente adoradas eram Ísis, Hathor, Neith, Bast e Bes.

O Caminho Tântrico foi de curta duração, IV Dinastia até a XIII Dinastia. Movimentos e práticas especiais da Kundalini, com uma invocação à respectiva divindade dos casais, eram realizados no templo de mistério chamado sahadu.

Os traços predominantes compartilhados por todos os estudantes de magia consistiam de um caminho undécuplo, tendo: força de caráter, autocontrole, auto treinamento, auto respeito, prontidão e ousadia, atividade, franqueza, discrição, quietude, reserva extrema e conduta correta.

Os Aspectos Rituais

O ato mágico mais poderoso era o que o coração desejava e a língua ordenava. Uma vez que uma palavra era dita, ela tomava um curso inevitável, pois o poder estava na palavra dita, e a mente era a força criativa, que tornava a ideia realidade. Os nomes apropriados, quando falados ou escritos, eram ainda mais poderosos.

Maspero escreve o seu comentário sobre essa atividade de nomear as coisas. “Nada existia que não tivesse recebido um nome, e qualquer um que tenha perdido seu nome perdeu sua personalidade e sua independência”, e poderia ter a alma impedida de reencarnar. Entoar um nome era “fazê-lo aparecer”, e saber um nome oculto tinha o maior dos poderes. O valor de pronunciar fielmente as frases mágicas, as ladainhas e as fórmulas era crucial. Os egípcios muitas vezes regulamentavam a administração de remédios e a recitação de feitiços pelas leis dos números mágicos; predominavam o três, o quatro e o sete.

Quanto ao ritual em si, uma combinação de complementos era utilizada. Os gestos produziam os maiores resultados, e ações simuladas e drama realista eram realizados a fim de trazer os resultados desejados. Água do Nilo, óleos puros, vinho, perfumes fortes e uma grande quantidade de incenso eram usados. Durante os rituais, os oficiantes usavam amuletos e talismãs bem como os levavam e os empregavam por uma variedade de razões. Esses amuletos e talismãs ganhavam sua potência com sua forma e com a inscrição de nomes e números sagrados.

Um conjunto de ferramentas rituais era utilizado, dependendo da natureza do ritual. Se era um rito de enterro, os emblemas osirianos do cajado e do mangual eram usados pelo alto sacerdote. O cajado servia como a ferramenta que abria a fenda da boca para que o espírito do homem pudesse partir. A ankh, símbolo da nova vida, também era usado sobre o corpo e na boca. A ankh era retratada sendo carregado por muitos deuses e deusas e era usada no ritual para bênção, cura, consagração e como uma ferramenta de aterramento. O incenso era usado quase continuamente em todos os ritos, especialmente nos de purificação. A mesa de oferenda era repleta de óleo, mel, flor, fruta, peixe e aves. Havia instrumentos musicais de vários tubos, tambores e cordas, que eram tocados. O sistro era gentilmente tocado para acompanhar cantos e hinos para apaziguar os Deuses, ou era balançado ruidosamente para acordar os Deuses.

As Manifestações do Poder

Existiam quatro diferentes manifestações de poder que os egípcios reconheciam e com as quais trabalhavam.

Primeiro, era o Poder Divino. Os Deuses e Deusas eram uma expressão dos princípios e funções do poder divino que se manifestava na natureza. 

Mer era poder magnético. Os egípcios chamavam a pirâmide de uma estrutura com poder mer.

Sa era um fluido misterioso invisível que fluía pelas estátuas de deuses e de deusas. Um homem que desejasse adquirir esse Sa, ajoelhava-se de costas para a estátua, de modo que a mão da estátua tocasse na espinha dorsal para transferir essa energia. Era apenas temporário, sendo necessário renovação frequente. O poder de Sa era retirado do Tanque de Sa, que estava localizado nos céus do Norte. Ela preservava o vigor e a idade. Diz-se que se o suficiente fosse mantido por um tempo necessário, a carne se transformaria em ouro, os ossos em prata e o cabelo em lápis-lazúli. Esse era o maior poder que se podia alcançar.

Sekem era o quarto poder. Era a “força vital”, o “poder dominante”, o “poder essencial para a criação”. Era o poder que animava o sahu, ou corpo espiritual. Era o poder para formas e nomes, e residia no céu astral. Era o mais fácil de trabalhar e, mais tarde, era muitas vezes referido como “mana”.

Traduções da XII Dinastia e da XIII Dinastia a respeito dos poderes celestiais de Deus e seus domínios apresentam uma descrição muito diversificada. As almas do Oeste vieram a ser governadas por Temu. O senhor do Monte do Sol Nascente era Sobek. A Senhora da Noite era Hathor. As almas do Leste eram governadas por Heru Khuti. O bezerro da Deusa ou estrela da manhã era Khera.[2] As almas da cidade de Pe eram governadas por Hórus, Mesta e Hapi[3]. As almas do distrito de Nequém eram governadas por Hórus, Tuamutef e Qebehsenuef. As almas de Heliópolis eram governadas por Rá, Shu, e Tefnut, e as almas de Hermópolis eram governadas por Thoth, Sa e Tem.

Os Deuses e Deusas celestiais também tinham os seus deveres. Eles tinham que organizar e separar o “Aquele que se faz em milhões”. Alguns foram designados para dirigir os assuntos do mundo. Outros tinham que operar os céus e dirigir todas as coisas astronômicas. Na Terra da Luz, quando um iniciado chegava, ele era formado em luz e era alimentado com luz. Esse alimento celestial era fornecido pelo olho de Hórus.

A existência do iniciado era mantida pelos raios que caíam do Deus supremo, e qualquer um que tivesse entrado tornava-se parte da luz. Todos eles chegaram do lago celestial de Sekhet-hetep. Esse “alimento” tomava a forma de trigo, cevada vermelha, figos, vinho e do pão da eternidade, que era derramado de uma oliveira sagrada. Com esses alimentos, era sustentado até ser chamado novamente ao plano terrestre.

A magia não era algo à parte da vida dos antigos sacerdotes egípcios, mas era encarnada como uma relação diária mediante a qual traziam os Deuses para serem parte das suas vidas, e os aproximavam da encarnação dos próprios Deuses.


[1]     Nota de revisão: natro, ou natrão, é carbonato de cálcio cristalizado, que surge após evaporação de águas duras em regiões calcárias.


[2]     Nota de revisão: refere-se ao hieróglifo behus, cuja tradução é imprecisa e pode ser “o bezerro de Khera, uma alma do Leste; a estrela do bezerro; a estrela da manhã”.  (BUDGE, Wallis E.A. An Egyptian hieroglyphic dictionary. Nova Iorque: Cosimo, 2010. v. 1).

[3]     Nota de revisão: Mesta, Hapi, Tuamutef e Qebehsenuef são os quatro filhos de Hórus.


Titulo Original:An Introduction to Egyptian Magic https://www.litachappell.com/articles/an-introduction-to-egyptian-magic

Autora: Soror Lutea

Tradução: Frater Tahuti

Revisão: אל-אמא-יה