Acampamento Opus Solis

Um Pianíssimo Perfeito

Silêncio para as harpas e os hinos! Pois a alma no meu corpo geme.

Eu tremo em todos os meus membros! Um fogo devora meus ossos!

O espasmo da minha mão direita agarra e estilhaça as minhas luas em inúmeros pedaços,

E o suor da minha testa congela e adere a meteoros incandescentes!

Eu chicoteio os cavalos da noite, e as estrelas espumam em seus flancos;

Todo o espaço e tempo fogem quando minha biga rasga suas fileiras.

Eu bebo a névoa láctea das vias estelares como se fosse vinho;

Seguro a barba de Deus no meu punho, e o meu machado parte garganta e espinha;

À vista da minha angústia e problemas, os céus respondem à minha vontade;

O universo estoura como uma bolha – e eu estou mais solitário ainda.

Silêncio, e horror, e vazio – essas são as minhas chevages!

Eu, saturado da eternidade, anelo em vão pelo fim.

Veja! Estou encolhido a um sopro, um sopro de ar fantástico,

Um sicofanta desprezado pela Morte, um refugado trapo de Desespero.

Mande só o sussurro de uma canção, Ó cantor, para excitar meu alento!

Mande apenas uma nota para prolongar este langoroso desejo da Morte!

Pois tu és sutil e veloz, além da minha vista, como um pássaro

Soberbamente estrondoso nas alturas, uma grande graça mal-ouvida,

(Tão baixo estou eu, meu amante!) Uma beatitude ostentada ao longe

Inacessivelmente alta para pairar, um sonho mais silencioso do que uma estrela!

E ainda assim te conheci, conheci tua cabeça curvada até o teu joelho,

Teus cabelos soltos caíram numa faixa próxima ao meio de mim;

Dobraste-te ainda mais baixo – encarna a felicidade como és –

Enrolando cada vez mais devagar, mas mais firme ao redor de meu coração.

Oh, mas a explosão da maravilha quando a boca com a louca boca se encontrou,

E em um moribundo estrondo o manifesto mundo solar se pôs,

E Deus surgiu chamejante – Ó irmã, nascida de um parto!

Vamos invadir os caminhos da montanha! Vamos estuprar a terra virgem!

Vamos pôr as estrelas para cantar! Vamos arrear o sol para um corcel!

Que as correntes do tempo corram forte, com vida para uma erva-d’água,

E lá nós nadamos livres, como os próprios Deuses, como Eles

Que esguicham os Aeons, e giram os ciclos de seda em seu jogo.

Venha! Vamos voar, vamos voar alto, para além das moradas do tempo,

Para além dos céus que estão grisalhos com o florescer harmônico das estrelas,

Para além dos raios do sol, para além do abismo do pensamento,

Para além da felicidade do Um, para a terra que os Deuses chamam de Nada;

Lá descansaremos, descansaremos – Ó, o jasmim em teu cabelo

Enquanto sua cabeça afunda no meu peito – não descansamos lá?

Autor: Aleister Crowley

Tradução: Frater Tahuti

Revisão: Frater אל-אמא-יה

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